A Doença da Lepra

Foto: Mycobacterium leprae – The Leprosy Mission Australia

A Lepra (também conhecida como Doença de Hansen*) é uma doença infecciosa causada por bactérias de crescimento lento chamadas Mycobacterium leprae. Pode afectar os nervos, pele, olhos e revestimento do nariz (mucosa nasal).

Com o diagnóstico e tratamento precoces a doença é curável com antibióticos. As pessoas com lepra/hanseníase podem continuar a trabalhar e a levar uma vida activa durante e após o tratamento.

A lepra, outrora temida como uma doença altamente contagiosa e devastadora, hoje sabemos que não se propaga facilmente e o seu tratamento é muito eficaz. No entanto, se não for tratada, os danos nos nervos poderão resultar em graves lesões nas mãos e nos pés, paralisia e cegueira.

Como é que se contrai a lepra?

Não se sabe exactamente como a doença da Hansen se dissemina entre as pessoas. Actualmente, os cientistas pensam que poderá acontecer quando uma pessoa infectada tosse ou espirra e uma pessoa saudável respira as gotículas que contêm a bactéria. Devido ao lento crescimento das bactérias e ao longo tempo necessário para desenvolver sinais da doença, muitas vezes é muito difícil localizar o foco da infecção. No entanto é necessário um contacto próximo e prolongado, por muitos meses, com alguém com lepra não tratada para contrair a doença.

Não se contrai a lepra por:

  • Um contacto casual com uma pessoa infectada;
  • Manifestações de afecto: aperto de mãos, abraços…;
  • Não é transmitida da mãe para o bebé durante a gravidez;
  • Não é transmitida sexualmente;
  • Não é hereditária.

Desafios da doença da lepra

Classificada como uma das Doenças Tropicais Negligenciadas, a doença de lepra afecta, principalmente, as pessoas que vivem em países mais carenciados em condições de pobreza extrema que têm dificuldade em aceder os serviços de saúde devido às longas distâncias dos centros de saúde/hospitais e ao custo elevado de ir ao médico. Por esse motivo, apesar do programa da OMS fornecer tratamento gratuitamente, muitas das pessoas afectadas não o concluem ou não o recebem. Além disso, devido ao estigma contínuo contra as pessoas com lepra, elas podem não procurar ajuda quando os primeiros sintomas aparecem, causando atraso no diagnóstico e desenvolvimento de deficiências.

Nalguns países, as mulheres e as meninas afectadas pela doença de lepra ainda enfrentam o problema adicional de discriminação de género, e social, que também pode retardar o diagnóstico da doença. Há países em que a lei permite que uma pessoa se divorcie legalmente só porque o cônjuge ter contraído a doença. Infelizmente isso pode deixar muitas mulheres fragilizadas, sem tecto e incapazes de cuidar dos seus filhos. Por outro lado, muitas pessoas que vivem com a doença não podem trabalhar devido à incapacidade causada pela mesma e/ou enfrentam o estigma que as impede de trabalhar.

Apesar da doença da lepra ser curável muitas pessoas no mundo continuam a sofrer desta doença. Só em conjunto, através da prevenção, educação e do melhoramento ao acesso aos serviços básicos de saúde, podemos eliminar, com sucesso, a doença, a discriminação e o estigma.

*A lepra foi renomeada como hanseníase após o cientista norueguês Gerhard Henrik Armauer Hansen, em 1873, descobrir a bactéria Mycobacterium leprae.