A Doença da Lepra – Doenças Tropicais Negligenciadas

A Lepra (também conhecida como Doença de Hansen*) é uma das Doenças Tropicais Negligenciadas infecciosa causada por bactérias de crescimento lento chamadas Mycobacterium leprae. Pode afectar os nervos, pele, olhos e revestimento do nariz (mucosa nasal).

A lepra, outrora temida como uma doença altamente contagiosa e devastadora, hoje sabemos que não se propaga facilmente e o seu tratamento é muito eficaz. Se não for tratada, os danos nos nervos poderão resultar em graves lesões nas mãos e nos pés, paralisia e cegueira.

Como é que se contrai a doença de lepra?

Não se sabe exactamente como a doença lepra/hansen se dissemina entre as pessoas. Actualmente, os cientistas pensam que poderá acontecer quando uma pessoa infectada tosse ou espirra e uma pessoa saudável respira as gotículas que contêm a bactéria.

Devido ao lento crescimento das bactérias e ao longo tempo necessário para desenvolver sinais da doença, muitas vezes é muito difícil localizar o foco da infecção.

É necessário um contacto próximo e prolongado, por muitos meses, com alguém com a doença de lepra não tratada para contrair a doença.

Não se contrai a doença de lepra por:
  • Um contacto casual com uma pessoa infectada;
  • Manifestações de afecto: aperto de mãos, abraços…;
  • Não é transmitida da mãe para o bebé durante a gravidez;
  • Não é transmitida sexualmente;
  • Não é hereditária.

Desafios da doença da lepra

Classificada como uma das Doenças Tropicais Negligenciadas, a doença de lepra afecta, na maioria, as pessoas que vivem em países mais carenciados em condições de pobreza extrema que têm dificuldade em aceder os serviços de saúde devido às longas distâncias dos centros de saúde/hospitais e ao custo elevado de ir ao médico.

Por esse motivo, apesar do programa da OMS fornecer tratamento gratuito, muitas pessoas afectadas não o concluem ou não o recebem.

Devido ao estigma contínuo contra a doença da lepra, as pessoas que a contraem podem não procurar ajuda quando os primeiros sintomas aparecem, o que causa atraso no diagnóstico e desenvolvimento de deficiências.

Quando o cônjuge contrai a doença, em certos países, é-lhe permitido o divórcio. Como consequência as mulheres e as meninas afectadas pela doença de lepra ainda enfrentam o problema adicional de discriminação de género, e social, que também pode retardar o diagnóstico da doença. Infelizmente isto deixa muitas mulheres fragilizadas, sem tecto e incapazes de cuidar dos seus filhos.

Muitas pessoas que vivem com a doença não podem trabalhar devido à incapacidade causada pela mesma e/ou enfrentam o estigma que as impede de trabalhar.

Prevenção

Apesar da doença da lepra ser curável muitas pessoas no mundo continuam a sofrer desta doença. Só em conjunto, através da prevenção, água potável, sabão, educação e do melhoramento ao acesso aos serviços básicos de saúde, podemos eliminar, com sucesso, a doença, a discriminação e o estigma. Colabore com a APARF.

Com o diagnóstico e tratamento precoces a doença é curável com antibióticos. As pessoas com lepra/hanseníase podem continuar a levar uma vida activa durante e após o tratamento.

*A lepra foi renomeada como hanseníase após o cientista norueguês Gerhard Henrik Armauer Hansen, em 1873, descobrir a bactéria Mycobacterium leprae.

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Dados actuais sobre a doença da lepra publicados pela OMS a 04 de Setembro de 2020:

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