Porque é que as pessoas escondem os sintomas da lepra/hanseníase e o que é que isso significa para elas?

No mundo existem pessoas que identificam uma mudança de cor na sua pele e que nessa zona perderam a sensibilidade. Sabem que poderá ser lepra/hanseníase, mas evitam procurar ajuda médica. Esta decisão pode ter consequências terríveis, incluindo deformações e incapacidades evitáveis para o resto da vida. No entanto tomam esta decisão porque temem o estigma e o ódio das suas famílias, amigos e comunidade.

O estigma em torno da lepra/hanseníase está presente em muitas comunidades

A lepra é uma doença que carrega consigo um grande estigma. Por vezes ocorre porque a doença é vista como uma maldição, outras porque é uma doença considerada altamente contagiosa, e às vezes é porque existe muito medo em torno das deficiências que a lepra/hanseníase causa, como graves danos ao mãos, pés e olhos.

Devido a estas percepções em torno da lepra/hanseníase, as pessoas afectadas pela doença são frequentemente expulsas das suas casas e comunidades. São forçados a viver separados de todas as outras pessoas nas ruas, em cavernas ou armazéns. Na pior das situações as crianças ficam escondidas durante anos.

Mesmo em comunidades no mundo onde não há lepra/hanseníase, as pessoas usam termos odiosos como ‘leproso’ e fazem da doença um sinónimo de indesejável. Frequentemente, não percebemos o dano que este tipo de linguagem pode ter quando ecoa online, na TV ou noutras formas de arte e que atinge as comunidades onde as pessoas vivem com a doença.

Nesse contexto, é fácil entender porque é que as pessoas teriam medo de ser diagnosticadas com lepra/hanseníase, porque é que esconderiam os sintomas e evitariam o tratamento médico. Quem quer ser diagnosticado com uma doença que vem com toda essa bagagem?

Evitar o tratamento causa danos terríveis

A lepra/hanseníase é uma doença curável com medicação gratuita, conhecida como terapia multi-medicamentosa (MDT). Se uma pessoa começa a tomar MDT logo após perceber os primeiros sinais da doença, o risco de desenvolver uma incapacidade para o resto da vida como resultado da doença é mínimo.

Infelizmente, se uma pessoa esconde os seus sintomas e evita o tratamento médico, aumenta drasticamente a probabilidade da doença atacar os nervos ao redor de seus cotovelos, joelhos e olhos. Este dano no nervo pode causar graves deficiências que limitam o dia a dia. O medo da doença e das deficiências que ela causa muitas vezes leva ao desejo de esconder os sintomas, o que apenas aumenta a probabilidade dos seus medos se tornem realidade.

Podemos acabar com o problema do estigma e derrotar a lepra

O estigma da lepra/hanseníase devesse ao facto das pessoas não conhecem os factos importantes. Mais pessoas procurarão tratamento quando o conhecimento sobre a lepra/hanseníase for maior e o estigma reduzido. É por isso que é importante partilhar estes factos.

Por exemplo, a lepra NÃO é uma maldição. É causada por uma bactéria, assim como tantas doenças em todo o mundo. A lepra NÃO é altamente contagiosa; é uma doença moderadamente infecciosa à qual 95% da população é imune. Além disso, é uma doença de fácil tratamento com medicamentos gratuitos.

A educação e a redução do estigma desempenham um papel crucial nos nossos esforços para derrotar esta doença.

Fonte: The Leprosy Mission International