O Coronavírus e o distanciamento social dão-nos um vislumbre do isolamento de pessoas com lepra

O Coronavírus e o distanciamento social dão-nos um vislumbre do isolamento de pessoas com lepra

20 DE MARÇO DE 2020

WILLS POINT, TX – Os governos locais, estaduais e federais determinaram a prática do distanciamento social na esperança de restringir a propagação do coronavírus mortal (COVID-19). As empresas e as igrejas fecharam temporariamente. Os eventos desportivos e concertos foram cancelados. Ainda nos estamos a adaptar ao distanciamento social. Não é do nosso hábito ficar a dois metros afastados uns dos outros ou evitar gestos normais como os apertos de mão. Muitos de nós já fomos instruídos a isolarem-se em casa. Para alguns, os primeiros dias podem parecer férias. Para outros, pode ser um inconveniente. Quanto mais tempo a obrigação de isolamento permanecer em vigor, maior a probabilidade de nos sentirmos frustrados, solitários, entediados e até abandonados. Se começarmos a experimentar esses sentimentos, talvez seja apropriado lembrar o stresse emocional contínuo e do genuíno desgosto sofrido por dezenas de milhares de pessoas que foram isoladas e abandonadas nas colónias de lepra em todo o mundo.

Não só carregam as cicatrizes de uma doença que torna a sua vida quotidiana extremamente desafiadora, mas também enfrentam a indignidade de serem rejeitados e ficarem sozinhos para o resto das suas vidas.

Se Deus quiser, o nosso período de isolamento passará. Não é assim para os residentes das colónias de lepra.

A lepra é uma doença curável e, os efeitos físicos devastadores podem ser evitados, se o doente for tratado nos estágios iniciais. Ainda assim, milhares de casos são identificados tarde demais. Portanto, o flagelo do isolamento continua e, toques amorosos ou abraços compassivos tornam-se nada mais do que lembranças desbotadas que flutuam para o passado com o surgimento do novo dia.

Os colaboradores apoiados pelo Gospel for Asia na Ásia estabeleceram um ministério para as colónias de lepra em 2007, ironicamente apenas dois anos depois as autoridades de saúde declararam o subcontinente praticamente livre de lepra, deixando de ser uma preocupação de saúde pública.

Naquele momento, em 2005, os programas oficiais de lepra foram fundidos em programas nacionais de saúde pública mais abrangentes. Um funcionário declarou: “Isso significou o fim do progresso da contra a lepra”. Com a falta de atenção adequada das autoridades de saúde, o número de casos de lepra começou a aumentar.

Quando a organização Gospel for Asia (GFA World) percebeu as miseráveis condições do crescente número de pessoas confinadas às colónias de lepra, os seus colaboradores instituíram a missão de atender os doentes de lepra isolados nessas colónias.

Graças ao apoio dos seus colaboradores nos últimos 13 anos, a GFA agora ministra regularmente em cerca de 40 dessas comunidades, fornecendo água potável, saneamento, cuidados de saúde e companhia. Recentemente, os membros da GFA na Ásia comemoraram o Dia Mundial dos Doentes de Lepra inaugurando um poço e uma instalação de saneamento numa comunidade de lepra.

Portanto, quando somos tentados a reclamar sobre nosso isolamento temporário, lembremos das pessoas na Ásia que foram isoladas por causa da lepra. Em vez de pensar no que está em falta, pense no que tem. Depois, considere o que pode dar para ajudar os milhares de doentes com lepra que estão a passar por grandes necessidades.