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Opinião: Porque precisamos de nos focar no estigma e na discriminação – 5 lições para as Doenças Tropicais Negligenciadas

Alunos do ensino fundamental realizam uma dança sobre a filariose linfática em Lahat, Indonésia. 
Foto: RTI International / Muhammad Fadli /CC BY-NC

“Um número significativo de pessoas com DTN*, como filariose linfática, lepra ou tracoma – são alguns exemplos – desenvolve um fraco bem-estar mental, depressão ou ansiedade. Este não é um efeito directo da doença em si, mas muitas vezes o resultado do comportamento estigmatizante de familiares, vizinhos e até mesmo de profissionais de saúde. […]

O estigma é um dos aspectos mais importantes a ser enfrentado em qualquer condição de saúde. O bem-estar mental é tão importante quanto o físico – talvez até mais – mas costuma ser esquecido.”

*Doenças Tropicais Negligenciadas

A pandemia do COVID-19 tem um forte impacto no controlo e na prevenção da lepra/hanseníase

As pessoas afectadas pela doença de Lepra/Hansen sofrem o impacto desproporcional do Covid-19.

A pandemia do COVID-19 impactou fortemente o controle e a prevenção da hanseníase e, em resposta, o GPZL* estabeleceu três grupos de trabalho para enfrentar os principais desafios da comunidade hanseniana durante a crise de saúde global e liderar a resposta de emergência.

Os três grupos de trabalho de resposta COVID-19 da GPZL são:

  • Criar e fornecendo apoio para as necessidades urgentes dos Programas Nacionais de Lepra/Hanseníase, particularmente para o acesso às MDT e cuidados de acompanhamento.
  • Defender o acesso a cuidados de saúde abrangentes, serviços de protecção social e medidas humanitárias para as pessoas afectadas pela lepra ou hanseníase e as suas famílias.
  • Preparar o GPZL para o cenário global de saúde pós-pandemia.

*GPZL: Global Partnership for Zero Leprosy

Porque devemos ter mais cuidado com a linguagem durante o Covid-19

 O Covid-19 trouxe ao mundo novos desafios que ainda não tínhamos considerado. Infelizmente, também nos relembrou um desafio antigo, que precisamos superar imediatamente.

Desde que a pandemia global começou no início deste ano, recebemos muitas notícias de pessoas alegando que ao contrair o Covid-19 os faziam sentir como ‘leprosos’ quando as suas comunidades se afastavam deles. Vimos funcionários da linha de frente reivindicando o mesmo. Nos últimos dias, tivemos até o ministro das Relações Exteriores Italiano, Luigi Di Maio, a dizer que a Itália não deveria ser tratada como uma ‘colónia de leprosos’.

Este é um problema muito antigo, o qual tem que acabar. Ao longo da história, o odioso termo ‘leproso’ tem sido usado como um insulto às pessoas afectadas pela lepra/hanseníase. Ninguém jamais deve usar o termo ‘leproso’. Além desse velho desafio, precisamos enfrentar um novo desafio: a comparação entre lepra/hanseníase e Covid-19

Alguns termos odiosos nunca devem ser usados

Existem palavras terríveis e frases usadas em todo o mundo que visam insultar e subjugar grupos minoritários. Tenho a certeza que pode pensar em muitos. Estes são termos horríveis e a maioria foi banida por pessoas educadas. Quaisquer figuras públicas que usem estes termos deverão ser devidamente responsabilizadas.

Infelizmente, o termo ‘leproso’ é um termo que muitas vezes escapa ao escrutínio público e é usado prontamente por jornais e políticos, em programas de TV e na literatura. Este termo ofende as pessoas afectadas pela lepra/hanseníase. E não só. Também é usado com raiva e nojo das comunidades afectadas pela lepra/hanseníase em todo o mundo para conferir às pessoas afectadas pela lepra/hanseníase uma sensação de impureza. Sempre que esse termo é usado, torna as pessoas afectadas pela lepra/hanseníase cidadãos de segunda classe. Se já falou com uma pessoa afectada pela lepra/hanseníase sobre como é que ela se sente quando as pessoas usam esse termo contra ela, saberá que é de partir o coração.

Devido a esse termo, as pessoas afectadas pela lepra/hanseníase são rejeitadas. O termo cria estigma e esse estigma significa que as pessoas afectadas pela lepra/hanseníase têm o seu direito roubado. Eles lutam para ter acesso a moradias, empregos, comunidade e até família. Nenhum termo que possa ter um impacto tão horrível deve ser usado.

A pandemia de Covid-19 trouxe este problema de volta e torna-se um momento para que os políticos, jornais e outras pessoas acrescentem este termo horrível à colecção de tantos outros que se tornaram inesquecíveis.

A lepra/hanseníase não deve ser comparada ao Covid-19

Há um problema secundário com os relatórios em torno do Covid-19 e da lepra/hanseníase. Quando as duas doenças são comparadas, é como se elas fossem altamente contagiosas e fossem temidas. Isto simplesmente não é verdade e também contribui para o estigma enfrentado pelas pessoas afectadas pela lepra/hanseníase.

Covid-19 é uma doença altamente contagiosa que levou a um encerramento mundial. Enquanto isto, a lepra/hanseníase é uma doença pouco infecciosa à qual 95% da população mundial é imune e qualquer paciente com lepra/hanseníase que se submeteu ao tratamento com MDT por 72 horas deixa de ser contagioso. É uma doença que ainda arruína vidas em todo o mundo, mas compará-la ao Covid-19 é, na melhor das hipóteses, inútil.      

Quando comparamos o Covid-19 à lepra/hanseníase, perpetuamos o mito de que a lepra/hanseníase é altamente contagiosa. Isto tem um impacto devastador sobre as pessoas afectadas pela lepra/hanseníase, porque as pessoas começam a ficar longe delas. Ninguém trabalhará com eles, viverá com eles ou sequer se aproximará deles.

A lepra/hanseníase não é semelhante ao Covid-19 e as comparações entre os dois estão longe de ser inofensivas. E está a ter impacto nas pessoas afectadas pela lepra/hanseníase.

A pandemia de Covid-19 ensinou-nos o poder do cuidado. Cuidar de nós mesmos e cuidar daqueles que nos rodeiam. Vamos estender o mesmo cuidado às pessoas afectadas pela lepra/hanseníase.

Fonte: blog de Brent Morgan, Director internacional The Leprosy Mission

Guias sobre estigma e bem-estar mental

Na história das Doenças Tropicais Negligenciadas, o estigma costuma ser mais prejudicial do que a própria doença. Se é uma pessoa que trabalha para lidar com o estigma relacionado à saúde e pretende promover o bem-estar mental etc.? Leia http://stigmaguides.org

Lepra/Hanseníase e COVID19

Para quem trabalha com doentes de lepra ou com outras Doenças Tropicais Negligenciadas, não se esqueça de consultar a Infolep. Um centro de informação on-line na intersecção do COVID19 e a lepra/hanseníase. Também inclui tópicos relacionados como inclusão, deformidades, saúde mental….

Introdução Hanseníase e COVID19

À luz da pandemia do COVID19, a Infolep lançou esta página de tópicos importantes para partilhar recursos e informações sobre a lepra/hanseníase e COVID19. Também incluímos recursos informativos sobre a inclusão de pessoas com deficiência, e aspectos de saúde mental do COVID19. https://www.leprosy-information.org/key-topics/leprosy-and-covid19

Pacientes com lepra/hanseníase lembram medidas forçadas de quarentena

A quarentena forçada, o distanciamento social e outras as restrições semelhantes enfrentadas pelas pessoas actualmente devido ao medo do COVID-19 são incómodos que muitos pacientes com lepra/hanseníase enfrentam há décadas.

Quando não havia cura, muitos evitavam os doentes com a doença desfiguradora, com medo de que fosse altamente contagiosa ou mesmo hereditária. Por este motivo, muitos portadores de lepra/hanseníase foram confinados à força em colónias como a colónia Vale da Esperança na Malásia, até o final da década de 1960, quando a segregação forçada terminou.

Os bebés nascidos de pais com lepra/hanseníase foram imediatamente levados, por medo de contágio, para instituições de caridade ou por adopção.

Hoje, graças à jornalista e activista de TV Tan Ean Nee, algumas dessas crianças reuniram-se com os seus pais.

O Vale da Esperança não recebe novos pacientes, mas continua a ser o lar de ex-pacientes que se recuperaram e decidiram por lá permanecer.

Tan Ean Nee espera que o local possa ser preservado e espera que venha a ser reconhecido como Património Mundial da UNESCO.

Fonte: CGTN, Rian Maelzer, Ásia

A história de Krishna

“Muitas pessoas não se sentam ao meu lado. Estou-lhe grato.”

Com apenas 12 anos de idade, Krishna foi diagnosticado com lepra/hanseníase. Primeiro notou manchas entorpecidas e descoloração na pele e foi logo diagnosticado num rastreio local para lepra/hanseníase. 

Durante o seu tratamento, Krishna sofreu reacções ao medicamento e apareceram lesões cutâneas dolorosas por todo o corpo. Durante quinze anos, tomou remédios e tentou trabalhar na sua aldeia como pastor de vacas. Ninguém comprava o seu leite por causa do diagnóstico da lepra/hanseníase.

Em jovem, Krishna foi mandado embora da sua casa e forçado a viver numa colónia de doentes de lepra. Apesar de tomar remédios, as suas mãos e os seus pés estavam dormentes e não conseguia trabalhar.

Durante o tempo que esteve na colónia, Krishna casou-se e teve cinco filhos. Durante anos, sofreu um grave problema de saúde mental. Frequentemente sentia-se deprimido e suicida.

Krishna ainda sofre de discriminação e não é permitido entrar em hotéis e certas áreas locais e evita usar os transportes públicos para não ser discriminado.

Sente-se com sorte porque passou a maior parte da sua vida numa colónia de doentes de lepra e não sofreu tanta discriminação quanto as outras pessoas, mas ainda há dias em que se sente sozinho. 

Agora, Krishna encaminha as pessoas para os centros de referência de Lepra na área. Envia cerca de duas pessoas por mês para receberem tratamento.

Krishna sorrindo

A história de Krishna, embora triste, não é incomum entre as pessoas afectadas pela lepra/hanseníase. 

A saúde mental e isolamento social são factores importantes no diagnóstico da lepra/hanseníase que precisam ser mais discutidos. Esperamos que, ao destacar histórias, como a de Krishna, estejamos a trabalhar para que um dia os afectados pela lepra/hanseníase sejam tratados como membros da sociedade e não sofram com o resultado de uma doença curável.

Fonte: lepra.org.uk

A tarefa de erradicar a pobreza “nunca foi tão desafiadora, urgente e necessária”

Ocha/Gemma Cortes
Dioximar Guevara vive com os cinco filhos em San Felix, uma favela de Bolívar, na Venezuela.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse esta terça-feira que “a tarefa de erradicar a pobreza e alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável nunca foi tão desafiadora, urgente e necessária.”

O chefe das Nações Unidas participou em um encontro pela internet do Conselho Económico e Social da ONU, Ecosoc, que discutiu as actividades operacionais da organização no sector do desenvolvimento.

Prioridades

António Guterres disse que a Covid-19 expôs fragilidades em todo o mundo, com os mais vulneráveis sendo as maiores vítimas, e destacou três acções prioritárias para as Nações Unidas.

Primeiro, ajudar urgentemente a conter o impacto da pandemia e suprimir a transmissão do vírus. Em segundo lugar, proteger as conquistas de desenvolvimento e reduzir os impactos socioeconómicos. Por fim, garantir que os esforços nacionais, regionais e globais de recuperação seguem os objectivos da Agenda 2030 e do Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas.

Urgência

Já a presidente do Ecosoc, Mona Juul, disse que é necessário definir prioridades, mas “não se trata de fazer uma escolha entre resposta à Covid-19 ou Agenda 2030”.

O compromisso da ONU com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável não mudou. A pandemia apenas veio destacar a sua urgência. 

Com as pessoas e os países mais vulneráveis a serem os mais atingidos, a presidente do Ecosoc disse que o vírus é “uma forte lembrança” das desigualdades estruturais que afectam o mundo. A resposta da ONU “não deve deixar ninguém para trás.”

A secretária executiva da Comissão Económica para a América Latina e o Caribe, Cepal, também participou no encontro.

Alicia Bárcena disse que a pandemia expôs falhas estruturais e que, por isso, “voltar ao normal não deve ser o caminho escolhido.” Segundo Alicia, é preciso “repensar o modelo de desenvolvimento e consolidar as dimensões económica, social e ambiental do desenvolvimento sustentável.”

Fonte: ONU News

Mapeamento da morbidade leva Gana e Costa do Marfim à eliminação das DTN

Mabinty Kalokoh, uma mulher de 30 anos do distrito de Bombali, no norte da Serra Leoa, que sofre de episódios dolorosos ocasionais de inchaço e febre, vestígios de uma doença tropical negligenciada chamada filariose linfática. 
Foto: Ruth Fertig, HKI

Contamos a história de Mabinty sobre como viver com filariose linfática (FL). Embora tenha recebido tratamento como parte da ampla distribuição da comunidade para impedir a disseminação da doença, Mabinty ainda sofre os efeitos da FL: a febre e o inchaço doloroso durante um ataque agudo às vezes deixam-na imobilizada e incapaz de trabalhar. Além de diagnosticar e fornecer medicamentos para a FL, outro componente-chave do tratamento é a forma de gerir da morbidade – por outras palavras, monitorizar e mitigar os efeitos físicos negativos da doença, como os episódios agudos de dor e inchaço que Mabinty experimenta.

Depois de receber cuidados de saúde para tratar seus sintomas de filariose linfática e gerenciar sua morbidade, permitiu a Mabinty retornar ao campo e fornecer comida para sua família.  Foto: Ruth Fertig, HKI
Receber cuidados para tratar seus sintomas de filariose linfática e controlar a morbidade permitiu a Mabinty retornar ao campo e fornecer comida para sua família. Foto: Ruth Fertig, HKI 

“Não sei como consegui”, diz Mabinty sobre o momento em que percebeu os sintomas. “Eu pensei que veio de Deus.”

Mabinty não sabia o que fazer com os seus sintomas e como fazê-los desaparecer, então primeiro visitou um curandeiro tradicional cujos remédios não a ajudavam. Só mais tarde foi ao médico que poderia diagnosticá-la com precisão. Para as pessoas que vivem em pequenas aldeias, como Mabinty, o acesso a clínicas e hospitais pode ser um desafio. Isto resulta, não apenas em muitas pessoas incapazes de obter o apoio necessário para aliviar o sofrimento, mas também dificulta a capacidade dos sistemas de saúde locais e nacionais de apreciar o escopo da morbidade e direccionar recursos geograficamente. Para entender completamente estas necessidades, o sistema de saúde de cada país precisa de avaliação para identificar progressos e desafios.

A análise da situação do Gana deu ênfase à capacidade do sistema de saúde gerir a morbidade associada à FL*, prevenir a incapacidade da doença e alcançar a eliminação da doença. A análise da situação da Costa do Marfim fez o mesmo, tanto para LF* quanto para tracoma. Ambos os relatórios incluíram uma revisão e colecta quantitativa de dados, mas o maior componente de cada avaliação veio de entrevistas. Ao conversar com mais de 30 pessoas por país de ONGs localmente activas e os diferentes níveis de sistemas de saúde, reuniu-se informações sobre as seguintes áreas:

● sector da saúde nacional
● actividades anteriores para endereço LF* ou tracoma
● sistema nacional de dados
● descobertas Caso
● programas de tratamento e prevenção de gestão de morbidade e doença
● Instituições de saúde
● estruturas comunitárias
● envolvimento de ONGs

Incorporar tantas perspectivas de pessoas que trabalham em todos os níveis de cada sistema de saúde, especialmente aquelas que trabalham directamente com pessoas como Mabinty, deu a cada análise de situação uma ampla gama de informações críticas para as autoridades de saúde de Gana e Costa do Marfim. Para Gana, a análise constatou que os relatórios e a precisão dos dados continuam a ser desafios significativos. O relatório recomendou estratégias para fortalecer os sistemas de dados e identificar maneiras de colaborar com líderes comunitários, ONGs e instituições de pesquisa para maximizar a eficácia. A comunicação de dados e a qualidade também foram questões para a Costa do Marfim, bem como a falta de integração entre doenças e no sistema de saúde, particularmente relacionado ao tracoma. O relatório recomendou maneiras de melhorar os sistemas de dados e a prestação de serviços por meio de uma abordagem integrada.

Com esses relatórios, as autoridades de saúde de ambos os países têm uma imagem mais clara das suas necessidades actuais, o que lhes permitirá atender melhor as pessoas que vivem com os efeitos da FL* e do tracoma e garantir que todos que precisam dela tenham acesso a cuidados de qualidade.

As análises de situação são valiosas porque fornecem aos programas nacionais de DTN* um panorama mais completo de onde os serviços de gestão de morbidade por FL* e tracoma são mais necessários, quão bem equipado o sistema de saúde está para fornecer estes serviços e quais as lacunas que precisam de ser preenchidas para melhor alcançar as pessoas que precisam de tratamento e de cuidados. No caso de Mabinty, o acesso anterior ao diagnóstico e tratamento poderia ter reduzido a dor e a incapacitante que ela ainda hoje sofre. Com as informações desses relatórios, os programas nacionais de DTN estarão mais bem equipados para ajudar mais pessoas como Mabinty a aprender a cuidar dos seus sintomas, a fim de minimizar o sofrimento e ainda poder viver uma vida plena e activa e, finalmente, se tornarem defensores nas suas comunidades.

*FL: filariose linfática; *DTN: Doenças Tropicais Negligênciadas

Fonte: Act to end NTDs

O pior de três cenários analisados no estudo, nos próximos seis meses poderão morrer até 1,2 milhões de crianças em 118 países.

Covid-19 e pobreza. Seis mil crianças podem vir a morrer todos os dias por efeitos colaterais da pandemia

A luta contra a Covid-19 pode vir a provocar a morte de seis mil crianças por dia nos países mais pobres, nos próximos seis meses, vítimas colaterais da sobrecarga dos sistemas de saúde, alerta a Unicef.

Os números do Fundo das Nações Unidas para a Infância baseiam-se num estudo da universidade norte-americana Johns Hopkins, citada num comunicado da organização humanitária.

Segundo o pior de três cenários analisados no estudo, nos próximos seis meses poderão morrer até 1,2 milhões de crianças em 118 países, por causa de cuidados sanitários deficientes, provocados pela luta contra a propagação do novo coronavírus, explicou a agência da ONU em comunicado.

Estes óbitos suplementares juntar-se-iam aos 2,5 milhões menores que morrem semestralmente nestes países, actualmente.

No mesmo período, a luta contra a Covid-19 poderá também provocar indirectamente a morte de 56.700 mulheres, devido à falta de acompanhamento antes e depois do parto, além das 144.000 vítimas que já se produzem por semestre.

Um balanço que, a confirmar-se, aniquilaria “décadas de progresso na redução das mortes evitáveis de mães e crianças”, lamentou a directora da Unicef, Henrietta Fore.

“Não podemos deixar as mães e crianças serem vítimas colaterais do combate ao vírus”, que já fez quase 290.0000 mortos em todo o mundo, apelou a responsável.

Segundo o estudo da Universidade John Hopkins, publicado na revista “The Lancet Global Health”, em países com sistemas de saúde precários a Covid-19 perturba as cadeias de aprovisionamento de medicamentos e o acesso a alimentos, pressionando os recursos humanos e financeiros desses países.

As medidas instituídas para lutar contra o novo coronavírus, como o confinamento, o recolher obrigatório ou as restrições nas deslocações, e o receio de contágio das populações, reduzem as visitas aos centros de saúde e fazem diminuir o recurso a procedimentos médicos essenciais.

Entre os serviços afectados estão o planeamento familiar, os cuidados pré e pós-natais, os partos, a vacinação e os serviços de prevenção e cuidados de saúde, apontou a Unicef.

Na nota, a organização sublinhou que mais de 117 milhões de crianças em 37 países poderão não ter sido vacinadas contra o sarampo, até meados de abril, por causa da interrupção nas campanhas de vacinação, provocada pela pandemia.

O sul da Ásia seria a região mais afectada, seguindo-se a África subsariana e a América do Sul, com falhas particularmente elevadas no Bangladesh, Índia, Brasil, República Democrática do Congo e Etiópia.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 290 mil mortos e infectou mais de 4,2 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

Fonte: https://rr.sapo.pt/2020/05/13/mundo/unicef-preve-que-pandemia-pode-vir-a-matar-seis-mil-criancas-por-dia/noticia/192672/?fbclid=IwAR1YkG3katVw16H3Hlr–HkaUY6mi7SPk1xCdSxTemdBMJcBgbdj5WnbotU&jwsource=fb

Cerca de 17 mil grávidas irão dar à luz nos centros de saúde nos próximos três meses; 4.700 recém-nascidos terão complicações, aumentando a necessidade de acessibilidade à obstetrícia.

Mãe e filha marfinenses usam máscaras de protecção contra o Covid-19 num Centro de Saúde em Abidjan

As novas análises desenvolvidas pelo Unfpa e outras entidades mostram que as interrupções relacionadas com o bloqueio devido à covid-19 durante seis meses, podem deixar 47 milhões de mulheres incapazes de usar contraceptivos modernos.

Este factor pode ter como consequência 7 milhões de gravidezes adicionais indesejadas em países de renda média e baixa.

Desafios:
Face aos dados globais, a ONU News em Maputo conversou com Andrea Wojnar, representante do Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa. Citou alguns desafios para impedir que a situação se agrave em Moçambique.

“Estamos a apoiar o governo nos planos de preparação e resposta à Covid-19 para garantir a segurança, o bem-estar e a protecção de mulheres e raparigas. No mês passado foram instaladas tendas especiais em seis clínicas em Cabo Delgado para garantir, por mês, que 6.300 mulheres e raparigas possam ter acesso com segurança ao planeamento familiar, bem como os cuidados pré e pós-natal durante a pandemia do Covid -19”.

Apoio:
Apesar do apoio ao governo Andrea Wojnar, afirma que estas acções devem ser intensificadas em locais onde as opções de transporte são limitadas e existem poucos centros de saúde.

“Em Moçambique, estimamos que 2.5 milhões de pessoas podem precisar de apoio; cerca de 17 mil mulheres grávidas irão dar à luz nos centros de saúde nos próximos três meses e 4.700 recém-nascidos sofrerão complicações, aumentando a necessidade de acessibilidade à obstetrícia.”

Morte:
Para evitar a morte, o Unfpa apoia formações diversas. Segundo Wojnar centenas de enfermeiras de SMI estão a receber formação através da tecnologia on-line, garantindo que permaneçam actualizadas sobre os mais recentes protocolos e medidas do Covid-19.

Cerca de 6 mil profissionais de saúde e enfermeiras de serviço materno-infantil, SMI, serão treinados usando plataformas de aprendizado on-line. Este treino garante que os enfermeiros de SMI e outros profissionais de saúde possam trabalhar sob as novas restrições do Covid-19.
Fonte: ONU

Programa de luta contra a lepra: Projecto destinado à compra de alimentos e medicamentos

Organização para distribuição de alimentos

“Em primeiro lugar queremos agradecer por esta generosa ajuda, que nos foi oferecida, uma bênção de Deus, sem ela não teríamos assistido este povo faminto e sem protecção.
Distribuímos alimentos todos os meses do ano, para todos os 65 doentes de lepra e alguns outros muitos carenciados. Também os doentes acamados e hospitalizados receberam uma ajuda alimentar.
Assistimos a todos os doentes de lepra e aos seus filhos e netos, que não são poucos, a Irmã Mayara, nossa enfermeira, dá uma assistência continua e assídua a todos, faz visitas a casa, faz curativos aos feridos. Luta o tempo todo para controlar a grande epidemia da malária, bronquite, constipação, desnutrição, etc.
Agradecemos de coração em nome de todos os que foram ajudados de uma forma ou de outra….
Kuito”

A crueldade – e pequenas gentilezas – da quarentena há 100 anos

Colónia da ilha de Quail em 1911(AUCKLAND LIBRARIES HERITAGE COLLECTIONS, AWNS-19111026-16-2)

Os doentes de lepra há muito que têm vivido com isolamento social antes do Covid-19.

Este artigo analisa como era a quarentena das pessoas afectadas pela lepra na Nova Zelândia no início do século XX: The cruelty – and small kindnesses – of quarantine 100 years ago

Como é que as pessoas afectadas pela lepra/hanseníase lidam com o maior bloqueio do mundo?

Desde 24 de Março, a Índia instituiu um bloqueio nacional. Com uma população de 1300 milhões, este é o maior bloqueio do mundo. A Índia também é o país com mais casos de lepra/hanseníase no mundo (66% do número global). Como as pessoas afectadas pela hanseníase lidam com o bloqueio na Índia?

Ganhar a vida passou de difícil a quase impossível

Devido ao estigma e à incapacidade, pode ser muito difícil para as pessoas afectadas pela lepra/hanseníase conseguirem emprego e ganhar a vida. Para muitas pessoas por toda a Índia, incluindo as afectadas pela lepra/hanseníase, o bloqueio no país significa que a renda se tornou inconsistente ou parou completamente. É particularmente difícil para as pessoas que não têm onde recorrer.

Felizmente, o governo da Índia comprometeu-se a estender a mão a todos aqueles que estão à margem da sociedade para garantir que tenham o que precisam para sobreviver. No entanto, muitas pessoas afectadas pela lepra/hanseníase podem não ter informação e/ou acesso aos apoios lançados pelo governo para superar estes tempos difíceis. 

Acessar alimentos e produtos de limpeza é um desafio

Muitas pessoas afectadas pela lepra/hanseníase lutam para ter acesso a suprimentos alimentares, pois não conseguem viajar, geralmente devido a úlceras, problemas oculares e outras deficiências. Em muitos casos, dependem de alimentos e outras disposições que lhes são trazidas. 

O mesmo se aplica aos produtos de saneamento. Num país onde o acesso à água potável nem sempre é garantida, é necessário fornecer kits de segurança e higiene às pessoas afectadas pela lepra/hanseníase, para que se possam proteger do vírus Covid-19.  

Fonte: The Leprosy Mission International

Dia Internacional das Parteiras

Unfpa/Elena Heatherwick

Data homenageia profissionais que têm um desafio maior durante pandemia.

A pandemia também limita os cuidados com a saúde reprodutiva em muitas partes do mundo. a queda na assistência de saúde, os riscos para mães e recém-nascidos aumentam. Para as parteiras, a falta de equipamento de protecção é uma grande preocupação em tempos de covid-19.

Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe na lista das nações sem acesso à Semana de Vacinação

Foto: Unicef/Thomas Nybo

Países de língua portuguesa são prejudicados pelas medidas de combate à pandemia com o fecho de fronteiras e o isolamento social; a suspensão de voos no mundo levou à redução de até 80% na entrega de lotes de vacinas.

Cerca de 370 milhões de alunos em risco por falta de merenda escolar

Crianças aguardam a sua merenda na escola da vila de Koroko Foumasa, na Côte d’Ivoire. Frank Dejongh

O fecho das escolas devido ao covid-19 cortou a única refeição diária para milhões de crianças em todo o mundo.

Fontilles, entre lepra/hanseníase e coronavírus

Abilio Segarra, residente em Fontilles.

El sanatorio de Vall de Laguar se blinda para proteger a los residentes, de entre 77 y 90 años, que están curados pero que aún padecen secuelas

Única leprosería de España. La pandemia se extiende por todos los confines, pero en el sanatorio alicantino se tomaron medidas desde primeros de marzo, antes de que se decretase el estado de alarma, para salvaguardar a los usuarios y el personal.

Pandemia ameaça campanha para vacinar 117 milhões de crianças contra sarampo

Campanha de imunização contra o sarampo já está atrasada em 24 países.

Mais de 117 milhões de crianças no mundo correm o risco de perder a vacinação contra o sarampo por causa do isolamento social para enfrentar uma outra doença: a covid-19.

Em comunicado, duas agências da ONU, Unicef e OMS, informaram que a campanha de imunização contra o sarampo já está atrasada em 24 países.
Outros 13 devem cancelar a vacinação por causa das medidas para enfrentar o covid-19.

Porta Aberta para a Vice-Presidente da Associação dos Amigos de Raoul Follereau

Onde não está garantido o acesso à água, a saúde e a vida estão em risco. Por isso, é pelo acesso das populações mais desfavorecidas à água potável que uma instituição como a Associação Portuguesa dos Amigos de Raoul Follereau batalha em África.

Ana Margarida Azevedo, vice-presidente da APARF, esteve à conversa com o Óscar Daniel, nesta edição do Porta Aberta. Vale a pena descobrir alguns dos projectos que esta instituição apoia em aldeias onde falta água e se desenvolvem-se doenças como a lepra.

Para contribuir para esta causa, sem qualquer custo para si, basta indicar o NIF da APARF ( 501 802 282) na sua declaração de IRS, para garantir que 0,5% do valor liquidado reverta a favor desta instituição. Este donativo em nada afecta o reembolso a que possa ter direito.

Orientações para as pessoas atingidas pela lepra/hanseníase durante a pandemia Covid-19

A Sociedade Brasileira de Hansenologia preparou um conjunto de orientações para as pessoas afectadas pela lepra/hanseníase que ajudam a enfrentar a crise da Covid-19 com medidas preventivas.

Porque é que a crise do Covid-19 pode ser “devastadora” para os doentes de lepra/hanseníase na Índia?

O sistema de saúde subfinanciado da Índia está a preparar-se para o impacto de uma epidemia de coronavírus – mas aqueles que sofrem com condições crónicas estão a sofrer maior impacto 
(AFP via Getty Images)

Sistemas imunológicos enfraquecidos, feridas abertas e preconceitos profundamente enraizados tornam os afectados pela lepra/hanseníase extremamente vulneráveis ​​à pandemia do Covid-19. Relatórios de Adam Withnall

Crianças na República Democrática do Congo sob risco de sarampo e epidemia de cólera

Novo relatório afirma que covid-19 piora situação que já era difícil; desde o início de 2019, epidemia de sarampo no mundo já matou mais de 5,3 mil crianças com menos de cinco anos; malária causou quase 17 mil mortes.

O sistema de saúde da República Democrática do Congo precisa de apoio urgente, enquanto luta contra as epidemias de sarampo e cólera e a ameaça crescente do novo coronavírus. 

Um relatório divulgado esta terça-feira pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, informa que os esforços para conter o surto de Ebola desviaram atenção e recursos de unidades de saúde enfraquecidas.

Orientações médicas da Sociedade Brasileira de Hansenologia sobre a possibilidade de co-infecção Hanseníase e Covid-19

  • Considerando a emergência que se instalou devido à PANDEMIA provocada pelo NOVO CORONAVIRUS (COVID-19);
  • Considerando o avanço dos estudos e trabalhos científicos acerca da temática dia após dia, que permitem a identificação de subgrupos populacionais com maior vulnerabilidade ao desenvolvimento das formas graves da doença COVID-19;
  • Considerando que existem pacientes em tratamento para a hanseníase que são enquadrados nestes mesmos critérios e, consequentemente necessitam de maior atenção, principalmente o significativo número de pacientes idosos com hanseníase, a Sociedade Brasileira de Hansenologia esclarece e recomenda.

Como o conhecimento de 150 anos de tratamento da lepra/hanseníase nos pode ajudar num mundo de Covid-19

Covid-19 é muito diferente da lepra/hanseníase. Covid-19 é uma doença viral altamente contagiosa e a lepra/hanseníase é uma doença bacteriana levemente infecciosa à qual 95% da população mundial está imune. Embora os dois sejam muito diferentes cientificamente, as consequências sociais são quase paralelas à medida que o isolamento ocorre.

Queremos comunicar duas mensagens muito importantes:

  1. É importante nunca usarmos o termo ‘leproso’. É um termo que reduz as pessoas apenas ao diagnóstico recebido e ninguém merece ser tratado desta forma. Também devemos parar de dizer que ‘nos sentimos como leprosos’, porque isto é um insulto enorme aos milhões de pessoas em todo o mundo que enfrentaram/enfrentam um diagnóstico de lepra/hanseníase.
  2. Comparar COVID-19 à lepra/hanseníase é injustificado, porque esta não é uma comparação precisa e porque esta comparação perpetua a ideia de que a lepra/hanseníase é uma doença contagiosa; não é uma doença contagiosa e 95% da população mundial é imune à doença de lepra.

O Coronavírus e o distanciamento social dão-nos um vislumbre do isolamento de pessoas com lepra

Muitos de nós já fomos instruídos a isolarem-se em casa. Para alguns, os primeiros dias podem parecer férias. Para outros, pode ser um inconveniente. Quanto mais tempo a obrigação de isolamento permanecer em vigor, maior a probabilidade de nos sentirmos frustrados, solitários, entediados e até abandonados. Se começarmos a experimentar esses sentimentos, talvez seja apropriado lembrar o stresse emocional contínuo e do genuíno desgosto sofrido por dezenas de milhares de pessoas que foram isoladas e abandonadas nas colónias de lepra em todo o mundo.

Se Deus quiser, o nosso período de isolamento passará. Não é assim para os residentes das colónias de lepra.

Portanto, quando somos tentados a reclamar sobre nosso isolamento temporário, lembremos das pessoas na Ásia que foram isoladas por causa da lepra. Em vez de pensar no que está em falta, pense no que tem. Depois, considere o que pode dar para ajudar os milhares de doentes com lepra que estão a passar por grandes necessidades.

O tema do Dia Mundial da Tuberculose 2020 – “É hora de agir”

Embora menos pessoas tenham adoecido e morrido por tuberculose (TB) no ano passado, os países ainda não estão a fazer o suficiente para acabar com a doença até 2030, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os esforços globais evitaram cerca de 58 milhões de mortes com esta causa desde o ano 2000, mas a tuberculose continua a ser a doença infecciosa mais letal do mundo.

Fonte: OMS

https://bvsalud.org/post_vitrines/dia-mundial-da-tuberculose-e-hora-de-agir-acabar-com-a-tuberculose/

Porta Aberta para a Vice-Presidente da Associação dos Amigos de Raoul Follereau

Onde não está garantido o acesso à água, a saúde e a vida estão em risco. Por isso, é pelo acesso das populações mais desfavorecidas à água potável que uma instituição como a Associação Portuguesa dos Amigos de Raoul Follereau batalha em África.

Ana Margarida Azevedo, vice-presidente da APARF, esteve à conversa com o Óscar Daniel, nesta edição do Porta Aberta. Vale a pena descobrir alguns dos projectos que esta instituição apoia em aldeias onde falta água e se desenvolvem-se doenças como a lepra.

Para contribuir para esta causa, sem qualquer custo para si, basta indicar o NIF da APARF ( 501 802 282) na sua declaração de IRS, para garantir que 0,5% do valor liquidado reverta a favor desta instituição. Este donativo em nada afecta o reembolso a que possa ter direito.

Porque é que ainda existe lepra hoje?

… a lepra é uma doença que acomete os mais pobres da nossa sociedade. Aqueles que não têm acesso à água limpa e saneamento e aqueles que não conseguem obter a quantidade certa de calorias e nutrientes na sua dieta têm um sistema imunológico mais fraco e, portanto, são propensos à doença de lepra…

Por que devemos parar de usar a palavra lepra

A lepra é endémica em mais de 100 países em todo o mundo, com mais de 200.000 novos diagnósticos todos os anos e mais de 4 milhões de pessoas vivem com algum tipo de comprometimento relacionado à lepra. O termo lepra, usado na Bíblia, designava uma infinidade de doenças com manifestações cutâneas. A lepra bíblica carregava um enorme estigma e era considerada sinónimo de impureza e punição divina. As acções globais para eliminar a lepra foram implementadas, mas ainda não foram bem-sucedidas. Com a estigmatização e a discriminação contra as pessoas afectadas pela doença são reconhecidas como dois dos maiores obstáculos. No Brasil, a lepra foi rebaptizada oficialmente hanseníase (Doença de Hansen) em 1975, e a experiência brasileira de renomear a lepra nas últimas quatro décadas deu sinais claros do benefício desta medida no combate ao estigma e à discriminação. Seguiram-se acções mais recentes da OMS e muitos anos de defesa das organizações dos doentes, mas as medidas concretas e eficazes para dignificar a linguagem e a terminologia precisam ser implementadas o mais rápido possível.

Um homem em missão: Dr. Francisco Guilengue, Moçambique

O meu avô teve lepra e desenvolveu deformações nas mãos e nos pés. Morava connosco e, o meu pai e o meu tio fizeram de tudo para apoiá-lo, principalmente porque a minha avó tinha falecido, disse ele.

Tendo visto a doença da lepra na minha família, sempre tive interesse pela doença. Quando me formei médico encontrei casos de lepra no distrito onde trabalhava e queria saber mais sobre o tratamento e a prevenção.

Uma mensagem para si de uma pessoa afectada pela lepra

Issa Harouna é uma pessoa afectada pela lepra. Issa foi diagnosticado com lepra na tenra idade de 10 anos, mas ele tem uma mensagem para como tratamos as pessoas afectadas pela lepra e como as pessoas afectadas pela lepra se devem ver.

Voltei à escola depois do verão e notei que os meus dedos estavam a deformar-se e a assumir a forma de garra. Quando cheguei à faculdade, os meus dedos estavam permanentemente deformados e ninguém se aproximava de mim.

Fonte:
https://www.leprosymission.org/our-story/blog/detail/our-blog/2020/02/21/a-message-to-you-from-a-person-affected-by-leprosy

Semana Nacional da Lepra nas Filipinas

Para a Semana Nacional da Lepra nas Filipinas, paremos o estigma e a discriminação contra as pessoas que tiveram/ têm a doença de lepra. De mãos dadas, podemos eliminar o pior problema da lepra! Acabar com o estigma!

Japão deve continuar acções de assistência a pessoas com hanseníase/lepra

Actualmente, 1,1 mil pessoas vivem de forma segregada em 13 sanatórios no Japão… estes pacientes de hanseníase sofreram com políticas de esterilização, de segregação forçada e foram tratados de forma desumana por causa de uma doença que se tornou curável.

Estas pessoas ainda sofrem para restaurar a sua dignidade e das suas famílias. Muitos laços foram quebrados por décadas e décadas de discriminação…

Prevenção é a chave para a eliminação na luta contra a hanseníase/lepra

Em 2018, foram detectados a nível mundial, 208,619 novos casos de lepra. Está algum progresso a ser feito na luta para eliminar a lepra?

Em resumo, sim. Mesmo ao detectar estes novos casos avançamos mais um passo para conquistar a lepra. No entanto, o facto de mais de 200,000 pessoas terem sido diagnosticadas com lepra revela que ainda temos trabalho a fazer.

Mais de 1,5 milhão de crianças precisam de ajuda de emergências no Níger

O número de pessoas que precisam de ajuda humanitária no Níger chega a 3 milhões. Mais da metade desse total são crianças sofrendo com violência, desnutrição, inundações, secas, deslocamentos epidemias e surtos.

Compreender a questão de género nas Doenças Tropicais Negligenciadas

O papel tradicional das mulheres e as responsabilidades domésticas expõem-nas a um maior risco de contrair estas doenças. Por exemplo, as mulheres e as meninas são essencialmente responsáveis pela recolha e transporte de água, cozinhar e limpar, torná-las susceptíveis aos NTDs portados por vectores e água.

O baixo estado socioeconómico das mulheres, o mau acesso a informações adequadas dos cuidados de saúde e a pobreza actuam como barreiras ao acesso a intervenções de saúde, incluindo prevenção, tratamento e diagnóstico, potencialmente aumentando a sua exposição e intensidade de NTD e a deficiência resultantes.

O objectivo ambicioso de combater as Doenças Tropicais Negligenciadas

Imagine o desafio de proporcionar a mil milhões de pessoas medicamentos necessários em apenas um ano. Isto pode parecer impossível, mas é exactamente isso que a comunidade global que luta contra as NTDs conseguiu. De facto, de acordo com a Organização Mundial de Saúde 1, mil milhões de pessoas com necessidade receberam 1.7 mil milhões de tratamentos preventivos para as NTDs em 2018, pelo quarto ano consecutivo, este número ultrapassou os mil milhões.

NTDs: Doenças Tropicais Negligenciadas

OMS autoriza quatro países africanos a usar vacina contra o ebola

Imagine o desafio de proporcionar a mil milhões de pessoas medicamentos necessários em apenas um ano. Isto pode parecer impossível, mas é exactamente isso que a comunidade global que luta contra as NTDs conseguiu. De facto, de acordo com a Organização Mundial de Saúde 1, mil milhões de pessoas com necessidade receberam 1.7 mil milhões de tratamentos preventivos para as NTDs em 2018, pelo quarto ano consecutivo, este número ultrapassou os mil milhões.

NTDs: Doenças Tropicais Negligenciadas

Mais de 290 mil pessoas foram imunizadas antes da licença comercial do novo produto para travar surto na RD Congo; Burundi, Gana e Zâmbia têm luz verde para usar imunização com eficácia de 97,5%.

Invisibilidade e negligência ainda afectam e impulsionam lepra, diz relatora das Nações Unidas

Em 2000, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a eliminação global da hanseníase como um problema de saúde pública. A decisão foi tomada em função da queda dos números de casos novos e também da prevalência, tendência reiterada no último relatório da OMS sobre o estado mundial da doença.

Essa determinação, contudo, é avaliada com ressalvas pela relatora Alice Cruz, na medida em que “pode esconder o fato de que ainda existem países endêmicos, bem como bolsões altamente endêmicos dentro dos países, e que ainda há transmissão em curso”.

Há regiões muito pobres nos países mais afetados, onde estão justamente os maiores focos de transmissão, lembra Alice Cruz. Por isso, e destacando que existe “um grande respeito pelo trabalho dos profissionais de saúde envolvidos”, considera que, na perspectiva dos direitos humanos, a decisão de considerar globalmente a eliminação da hanseníase como problema de saúde pública “gerou problemas”.

Doenças Tropicais Negligenciadas; Qual é o caminho a seguir?

Ouvi falar pela primeira vez sobre doenças tropicais negligenciadas (DTNs) na semana passada. Eu tive que procurar no Google o que são. O que mais me impressionou é que são evitáveis e tratáveis. São ‘doenças da pobreza’ e a injustiça e isso deixa-me com raiva. Faz-me querer agir. Percebi que não havia notícias sobre o que os jovens estão fazer na luta contra as DTN. Não parece haver nenhum envolvimento dos jovens. A notícia positiva é que existem soluções tangíveis para combater e erradicar essas doenças debilitantes….

Temida e esquecida, a doença da lepra ainda existe no Quénia.

Os dados mostram que o Quénia reduziu os números de 6.558 em 1986 para apenas 109 em 2018. O professor Matilu Mwau, médico e especialista em doenças infecciosas, classificou os casos como “muito poucos, mas ninguém deveria sofrer da doença de lepra nesta era”.

Estudos, incluindo os patrocinados pelo Ministério da Saúde, mostram que a baixa suspeita nos profissionais de saúde contribui imensamente para a disseminação da doença.

Pobreza: 3 milhões de pessoas em risco de contrair a doença de lepra, oncocercose, entre outras doenças em Ogun.

O governo do estado de Ogun, na Nigéria, divulgou que aproximadamente três milhões de pessoas, incluindo 1,4 milhão de crianças em idade escolar, correm o risco de serem atingidas por Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN).

5 casos da doença de lepra detectados na região de Tehuantepec de Oaxaca

Esta não é a primeira vez que o Isthmus de Tehuantepec vê um surto da doença. Cinco casos foram detectados em 2018: três em Santiago Niltepec, um em Xadani e um em Juchitán.

Lepra: a crise global de saúde esquecida

Todos os dias, quase 50 crianças são diagnosticadas com a doenças da lepra. Sem tratamento pro-activo, elas enfrentam deficiências físicas e isolamento social ao longo da vida.

Sudão do Sul tem campanha para vacinar 2,5 milhões de crianças contra o sarampo

Segundo a ONU, a campanha é “essencial”, pois o país enfrenta um surto de sarampo sem precedentes. Desde Janeiro de 2019, foram confirmados mais de 4,7 mil casos, com 26 mortes. 

ONU: desastres forçam mais pessoas a saírem de suas casas que conflitos e violência

Ao todo, ao longo de 2018, foram registados 1,6 mil eventos de desastres, mas o número real é muito maior. Segundo o Escritório da ONU, a maioria dos desastres não é documentada.

Progresso na luta contra a lepra.
A prevenção da lepra é a chave para a eliminação.

Sabita é uma ex-doente de lepra, curada actualmente não sofre da doença. Ela é capaz de caminhar alguns quilómetros por dia e realizar as tarefas básicas como fazer chá. Embora a lepra tenha causado deformação nas mãos e no corpo da Sabita, ela agora está completamente curada e vivência a vida como uma pessoa feliz e contente.

9 razões de esperança para eliminar a lepra.

A palavra mais importante nesse título é “progresso”. O progresso sugere que há esperança para eliminar a lepra.

… precisamos dissipar os mitos sobre a lepra para reduzir o estigma e a discriminação que tantas vítimas sofrem desnecessariamente. O nosso objectivo deve ser criar “um ambiente social onde as pessoas com lepra possam viver com harmonia e dignidade”. A publicação defende que é hora de mudar a nossa mentalidade em relação à consciencialização e intervenção da lepra a todos os níveis.

ONU: 4,8 milhões de pessoas no Sahel Central estão sob ameaça de fome

A FAO, o Unicef e o PMA enfatizam que as mudanças climáticas estão prejudicando os meios de vida na região, que já são frágeis. Essa situação é exacerbada por conflitos armados e comunitários, roubo e banditismo, que prejudicam a mobilidade dos rebanhos animais, o acesso a forragens e recursos hídricos.

Moçambique: Bispo de Pemba diz que ataques em Cabo Delgado são «uma tragédia»

As aldeias estão a ficar vazias, as pessoas não estão a plantar, então isso significa que haverá fome, e nós temos milhares de deslocados internos, explica.

2020: um ano crucial para as doenças tropicais negligenciadas

Uma em cada cinco pessoas no mundo está em risco de NTDs, que geralmente afectam os 1.600 biliões de pessoas mais pobres que vivem nas comunidades mais marginalizadas, resultando em incapacidade substancial, estigma e perda de meios de subsistência, além das mortes causadas.

ONU prepara-se para estação de ciclones em Moçambique, que começa em Março.

O país de língua portuguesa está a ser afectado por chuvas fortes no norte e secas no sul, em menos de um ano após a devastação causada pelos ciclones Idai e Kenneth; chefe do Sistema ONU no país, Myrta Kaulard, destaca as necessidades de financiamento urgentes.

A lepra ainda é endémica em 18 estados da Nigéria:


De acordo com a Revisão Nacional da Lepra de 2015, o governo disse que 18 estados ainda são endémicos em lepra, embora houvesse bolsas de endemicidade noutros Estados.

O Ministro de Estado da Saúde, Senador Olorunnibe Mamora, fez esta declaração durante as cerimónias que marcaram o Dia Mundial dos Doentes de Lepra de 2020, realizado recentemente em Abuja. O afirma ter deito notáveis ​​progressos no combate ao flagelo por meio do programa Nacional de Tuberculose e Controle da Lepra, garantindo tratamento para mais de 33.000 pacientes de 2009 até à data, incluindo homens, mulheres e crianças.

Unicef: pneumonia matou uma criança a cada 39 segundos no ano passado

Desnutrição, poluição do ar e falta de acesso a vacinas e antibióticos estão entre as principais causas de mortes evitáveis ​​por pneumonia; nova análise mostra que foco em medidas de combate à doença pode evitar a morte de quase 9 milhões de crianças.

Dia Mundial dos Doentes de Lepra: o Papa Francisco expressa a sua proximidade

O Papa Francisco expressou a sua proximidade com os doentes e cuidadores, por ocasião do 67º Dia Mundial dos Doentes de Lepra.

Quase 5 milhões de crianças precisarão de assistência humanitária no Sahel em 2020

Neste momento, 4,3 milhões meninos e meninas precisam de ajuda nestes países do Sahel. Segundo o Unicef, a principal causa é uma onda de violência que incluiu sequestros e recrutamento de crianças para grupos armados.

Palestras de sensibilização marcam Dia Mundial de Luta contra Lepra em Cabo Verde

É essencial a consciencialização da população sobre a doença, pois, muitos mitos e preconceitos sobre a enfermidade conhecida por hanseníase ainda confundem as pessoas e prejudica tanto a prevenção quanto o tratamento…

Discriminação é tema do Dia Mundial de Combate à Lepra

Em mensagem sobre o dia, o embaixador da Boa Vontade da OMS para a Eliminação da Hanseníase, Yohei Sasakawa, disse que “apesar do progresso da ciência, ainda existem pessoas sofrendo com discriminação injustificada.”

República Centro-Africana enfrenta crise humanitária “terrível e complexa”

O Escritório das Nações Unidas de Assistência Humanitária, Ocha, alertou que mais da metade da população da República Centro-Africana precisa de assistência e protecção humanitária. Ao todo, 2,6 milhões de pessoas estão nessa situação.

O Ocha diz que entre essas pessoas, 1,7 milhão precisam de assistência imediata para sobreviver.

Dia Mundial de luta contra a Lepra. Mais de 200 mil novos casos todos os anos

A nossa investigação consiste em saber se essa profilaxia é viável em larga escala e se podemos prescrever os medicamentos a uma população alargada, na tentativa de diminuir o aparecimento de novos casos. Não é simples: a questão que se coloca é se devemos administrar um tratamento preventivo a alguém, sem saber se essa pessoa está de facto doente.

Perguntas e Respostas com Paula Soares Brandão

A enfermeira e professora Paula Soares Brandão descobriu que tinha a doença de lepra durante o seu último período de enfermagem na Universidade do Rio de Janeiro em 2002. No início, sentiu um pouco de dormência na coxa. Após vários meses de testes inconclusivos, Paula foi diagnosticada com Lepra indeterminada…

Ocha: chuvas fortes e inundações mataram pelo menos 28 pessoas em Moçambique

Mais de 58,8 mil pessoas foram afectadas; as enchentes danificaram 10,2 mil casas e plantações; a agência da ONU alertou para o nível da água que começou a subir nos distritos da cidade da Beira, Buzi e Nhamatanda, atingidos pelo ciclone Idai em Março de 2019.

Perguntas e Respostas com Kofi Nyarko

Nasceu com o nome de Jackson Jonathan Nyarko, recebeu o apelido de Kofi, que significa ‘nascido na sexta-feira’ em Twi, um idioma ganês. Ele é o director da Escola Especial de Santa Isabel em Elimina, Gana, que oferece educação a crianças com necessidades especiais. Kofi foi diagnosticado com lepra aos 10 anos de idade, quando teve efeitos físicos irreversíveis da doença. Como foi rejeitado pelos seus colegas de classe, decidiu que, quando terminasse os estudos, ajudaria outras pessoas em situações semelhantes às dele. Kofi é membro do Conselho de Administração da IDEA, uma organização internacional de pessoas afectadas pela lepra…

Unaids: saúde não deve ser um privilégio dos ricos, mas um direito de todos

Quase 100 milhões de pessoas são levadas à extrema pobreza porque precisam de pagar pela assistência médica; a cada dois minutos uma mulher morre ao dar à luz; Portugal é destacado como bom exemplo de investimentos em saúde pública.

Unicef: 30% das meninas de famílias mais pobres nunca foram à escola

Um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, revela que 30% das meninas adolescentes mais pobres do mundo, entre 10 e 19 anos, nunca frequentaram a escola.

PMA alerta para nível recorde de pessoas que passam fome no sul da África

Número de pessoas em risco chega a 45 milhões; Moçambique é um dos oito países com mais necessitados durante a actual época de escassez; falta de fundos leva agência da ONU a correr risco de diminuir beneficiários de ajuda alimentar.