Como a doença de lepra/hanseníase é transmitida?

Crianças de Murrupula

Aprendemos ao longo de 2020 como é importante saber como uma doença é transmitida. Saber lavar as mãos, manter o distanciamento social e cobrir a boca tem ajudado as pessoas por todo o mundo a combater a disseminação da Covid-19. Compreender a transmissão da lepra ajudar-nos-á a combater a propagação da doença, bem como de outros problemas associados à lepra/hanseníase.

A doença da lepra/hanseníase é contraída por meio de gotículas de humidade no ar provenientes de uma pessoa infectada

Os cientistas ainda não estão 100% certos de como a lepra/hanseníase é transmitida, mas há pesquisas a serem realizadas para descobrir exactamente como é que acontece.

A maioria dos cientistas acredita que a lepra/hanseníase é contraída por meio de gotículas de humidade que passam pelo ar de uma pessoa infectada com lepra/hanseníase, mas que não foi tratada com terapia multi-medicamentosa (MDT). Apenas 1 em cada 10 pessoas afectadas pela lepra/hanseníase são infecciosas.

A hanseníase é mais frequentemente transmitida por meio de contacto prolongado com uma pessoa infectada

A lepra é uma doença moderadamente infecciosa. Isso significa que é raro contrair a doença após um breve encontro com uma pessoa infecciosa. As pessoas correm maior risco de contrair a doença de lepra/hanseníase se passarem longos períodos de tempo com uma pessoa infectada num espaço confinado.

Porém, mesmo que habite com uma pessoa afectada pela lepra/hanseníase, que ainda não recebeu tratamento, o risco de contrair a doença é baixo. Uma pesquisa recente demostrou que, ao longo de um ano, não mais do que 13 em cada 1.000 pessoas que viviam com uma pessoa afectada pela lepra/hanseníase foram diagnosticadas com a doença.

Para qualquer pessoa que esteja preocupada com a infecção porque vive numa comunidade com casos recentes de lepra (principalmente na Ásia, África e América Latina), tudo o que precisa fazer é ficar atento aos sinais e sintomas da doença, e em seguida, obter tratamento, que é gratuito e eficaz.

A lepra é pouco infecciosa e a maior parte das pessoas está imune

Cerca de 95% da população mundial possui um sistema imunológico que evita a infecção. Isto significa que, mesmo que passe longos períodos de tempo com uma pessoa infectada, não será contagiado pela doença.

Ter um sistema imunitário forte normalmente significa que uma pessoa não é susceptível à lepra/hanseníase. Um sistema imunitário forte vem principalmente de ter acesso a água limpa e bom saneamento, poder ter acesso a cuidados de saúde e ter uma dieta que forneça os nutrientes necessários. É importante repetir que cerca de 95% da população mundial tem um sistema imunológico forte. Por vezes, as pessoas poderão ter um sistema imunológico enfraquecido devido a doenças que suprimem a imunidade, mutações genéticas e certos medicamentos de longo prazo.

A lepra não é algo a temer

Infelizmente, as pessoas têm muito medo do contágio da doença de lepra. A doença traz consigo muito estigma e falsas crenças sobre maldições e percepções prejudiciais de deficiências. As pessoas afectadas pela lepra/hanseníase são muitas vezes expulsas das suas casas e comunidade, são divorciadas e perdem os seus empregos. Esta não é uma resposta razoável.

Como vimos, a lepra/hanseníase é pouco infecciosa – a maior parte das pessoas são imunes à doença – e é muito simples de curar, pois tudo o que requer é a toma de medicação – terapia multidrogas. Ao compreender como a lepra/hanseníase é transmitida, podemos acabar com o estigma desnecessário que envolve a doença. A lepra não é uma doença a ser temida.

Fonte: The Leprosy Mission International