A HORA DOS POBRES

Estimados Amigos

Em 1943, Raoul Follereau pedia a cada um que consagrasse pelo menos uma hora por ano do seu salário, rendimentos ou lucros, no alívio dos infelizes. Nascia assim A HORA DOS POBRES.

“Gesto simples, fácil de pôr em prática, ao alcance de todos, mas que tem em si um significado impressionante”.

Não se trata, realmente, de uma nota que tiramos distraidamente da carteira para nos vermos livres de um pedinchão. Dar uma hora – ou mais – por ano aos pobres é, antes de mais, dedicar-lhes uns momentos da nossa vida, pensar neles, consagrar-lhes o nosso trabalho. É UMA HORA DE AMOR”.

A Hora dos Pobres não é uma esmola; é um acto fraterno. Cada um de nós pode fazer o mesmo gesto: oferecer uma hora aos mais necessitados. E assim todos podemos saborear esta alegria orgulhosa e delicada: estender a mão não para pedir mas para dar.

Unidos ao Papa Francisco, que instituiu o Dia Mundial dos Pobres, procuramos nesta HORA ir ao encontro dos mais pobres “amando não com palavras mas com obras”.


 30 ANOS APARF “A ÚNICA VERDADE É AMAR”

“… A lei fundamental que sustenta o mundo é a lei do amor. O amor é a maior força do mundo. Por isso, apesar das guerras e dos ódios, a vida continua, porque, como diz Raoul Follereau, o amor sairá vitorioso.

Porque o amor não é um conceito abstrato ele sobrepõe-se sempre numa relação: com Deus que é a fonte de amor e com os irmãos. Mesmo para aqueles que amam e se dizem sem fé, é da mesma fonte que eles alimentam o seu amor.

O amor não é passivo, impele-nos à acção

Assim entendeu Raoul Follereau. Quando teve conhecimento de que havia seres humanos afastados das suas comunidades, a morrerem ao abandono, corroídos pela doença e pela fome, deixou a sua profissão e pôs-se inteiramente ao serviço destes irmãos. Os leprosos ocuparam a sua vida, bem como os pobres famintos.

Está nesta linha a APARF que há 30 anos desenvolve acções em vários países, no amor aos doentes de lepra e de todas as pessoas vítimas da fome e de outras formas de exclusão. Criada em 1987 por iniciativa dos Missionários Combonianos, a sua história é a mais bela trajectória de quanto pode o amor fazer.

Na maior parte dos casos a Associação exerce a sua acção no terreno em parceria com missões católicas a quem são confiados, sem dúvida, os maiores donativos. Mas a APARF tem também apoiado, sobretudo em países africanos, voluntários que dedicam um período da sua vida a esta causa. É justo lembrar alguns que, deixando o conforto da casa e do país, assumiram na pele as agruras do que é ser pobre e doente:

Igualmente voluntários imprescindíveis são as pessoas que trabalham na sede da Associação, as pessoas que integram os Órgãos Sociais, as que dedicam o seu tempo e forças à recolha de donativos e à sensibilização para a causa,

Por isso aqui estamos nós hoje, impelidos pelo amor porque sentimos e sabemos que a única verdade é amar.”

Rosa Celeste Ferreira
(Texto apresentado no XII Encontro Nacional da APARF)


Informação

Irmã Maria Rita Valente-Perfeito (1920-2017)

Informamos os nossos estimados amigos e colaboradores da partida para a Casa do Pai da Ir. Rita Valente-Perfeito, a 20 de Novembro.

Nascida em 02 de Janeiro de 1920 contava a provecta idade de 97 anos. Por motivo de limitações inerentes à sua idade encontrava-se a residir nos últimos anos, na Casa Paula, das Irmãs Doroteias, em Lisboa, congregação a que pertencia.

Grande colaboradora e amiga da APARF empenhou-se, com muito entusiasmo e coragem, na promoção do Serviço Fraterno aos Leprosos, que esteve na origem da formação dos primeiros voluntários da Associação.

Confiamos que continuará, agora no céu, a interceder pelo bom desempenho da APARF a favor dos mais frágeis da comunidade humana.


“Para quê a vida? Para servir!”

A 17 de Agosto de 1903 nascia Raoul Follereau, o “Vagabundo da Caridade”, como foi apelidado.
Desde jovem, sentindo o maravilhoso e inquietante apelo de SERVIR, fez da sua vida um verdadeiro testemunho, a alegria do saber dar sem medida.
Percorreu milhares de quilómetros, libertando com amor, todos aqueles que, prisioneiros da doença, se escondiam do mundo. Proferiu inúmeras conferências, apelou à humanidade, sem receio e com a eloquência que só os homens sábios da Caridade sabem ter: “ As riquezas do mundo são de todo o mundo”.
Milhões o escutaram, sobretudo a Juventude. É a ela que Raoul Follereau mais se dirige, com a ternura e a autoridade próprias de um pai.
Hoje, a sua Mensagem, tão actual como há 50 anos atrás, terá de ser novamente escutada: a fome atinge milhões de pessoas no mundo; a corrida ao armamento e o terror de uma guerra nuclear ensombram os nossos dias; a lepra, que muitos acreditam erradicada e apesar de curável, continua anualmente a fazer milhares de vítimas. Aproximadamente, em cada dois minutos, mais um novo caso de lepra é diagnosticado no mundo. Quantos ficarão por diagnosticar, até que a doença comece a provocar lesões irreversíveis?
A actualidade da Mensagem de Raoul Follereau, mostra-nos o caminho. A batalha, que ele começou, ainda não está ganha. É preciso continuar a lutar, dia após dia, sem esmorecer a vontade infinita de construir a “Civilização do Amor”.
O segredo é SERVIR.

vitor.borges@aparf.pt